Mercado de crédito de carbono e exigências ambientais: como funciona e o que sua empresa precisa saber
Por: TECNOAMBI - 27 de Fevereiro de 2026
O mercado de crédito de carbono deixou de ser apenas uma tendência e passou a ser uma estratégia concreta para empresas que buscam competitividade, conformidade ambiental e alinhamento às práticas de sustentabilidade.
O que é o mercado de crédito de carbono?
O crédito de carbono é um ativo ambiental que representa a redução ou remoção de 1 tonelada de CO₂ equivalente (tCO₂e) da atmosfera.
Ele surgiu a partir de compromissos internacionais para redução das emissões de gases de efeito estufa, especialmente após o Protocolo de Kyoto e, mais recentemente, o Acordo de Paris.
Empresas que emitem gases acima de determinados limites podem:
Reduzir suas próprias emissões; ou
Compensar parte delas comprando créditos de carbono gerados por projetos ambientais.
Como funciona o mercado de carbono?
Existem dois principais tipos de mercado:
1 Mercado Regulamentado
É estabelecido por legislação específica e impõe metas obrigatórias de redução de emissões.
Empresas que ultrapassam o limite permitido precisam adquirir créditos para compensar.
No Brasil, o mercado regulado está em processo de estruturação por meio do Lei nº 15.042/2024, que instituiu o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões.
2 Mercado Voluntário
Empresas compram créditos por iniciativa própria, geralmente para:
- Melhorar posicionamento ESG
- Atender exigências de investidores
- Fortalecer reputação ambiental
- Cumprir metas internas de descarbonização
Esse modelo é bastante utilizado por empresas exportadoras e multinacionais.
Quem pode gerar crédito de carbono?
Projetos que reduzem ou capturam emissões, como:
- Reflorestamento e conservação florestal
- Energia renovável (solar, eólica, biomassa)
- Tratamento de resíduos sólidos
- Captura de metano em aterros
- Agricultura de baixo carbono
Esses projetos passam por auditorias e validações técnicas para comprovar a redução real das emissões.
Quais são as exigências ambientais?
Para que um projeto gere créditos válidos, é necessário: Regularidade ambiental
O empreendimento deve possuir:
- Licenciamento ambiental válido
- Outorgas, quando aplicável
- Autorizações de supressão vegetal (se houver)
- Conformidade com legislação federal, estadual e municipal
Sem regularidade ambiental, o projeto não é validado.
Monitoramento e comprovação técnica
É exigido:
- Inventário de emissões de GEE
- Relatórios técnicos periódicos
- Metodologia reconhecida internacionalmente
- Auditoria independente
Adicionalidade
O projeto precisa comprovar que a redução de emissões não ocorreria sem a iniciativa vinculada ao crédito de carbono.
Relação entre licenciamento ambiental e crédito de carbono
O licenciamento ambiental é a base da segurança jurídica do projeto.
Sem licença válida:
- Não há validação do crédito
- Não há confiança do investidor
- O projeto pode ser questionado ou anulado
Além disso, empreendimentos já licenciados têm maior facilidade para:
- Acessar financiamento verde
- Participar de programas internacionais
- Integrar estratégias ESG
Vantagens para empresas
Empresas que estruturam projetos de carbono podem:
- Gerar nova fonte de receita
- Atrair investidores
- Reduzir riscos regulatórios
- Melhorar reputação de marca
- Antecipar exigências legais futuras
O que esperar do futuro?
Com a regulamentação nacional avançando e a pressão internacional por cadeias produtivas mais sustentáveis, a tendência é que:
- Mais setores passem a ter metas obrigatórias
- O inventário de emissões se torne prática comum
- O licenciamento ambiental incorpore critérios climáticos mais rigorosos
Empresas que se anteciparem terão vantagem competitiva.
Regularidade ambiental, controle de emissões e gestão técnica eficiente são os pilares para que empresas participem desse novo cenário econômico sustentável.